Sobre o Cromitos

O que é isso do Cromitos?

O Cromitos é um projecto sem fins lucrativos, que promove a aprendizagem e o interesse pela Programação e Electrónica com o objectivo de inspirar crianças e adolescentes a passarem de meros utilizadores de tecnologia a criadores. E claro, não vamos ficar todos fechados numa sala em frente a escrever num ecrã preto! Nada disso, hoje em dia há formas bem mais coloridas e sociais de tornar esta aprendizagem divertida e tão ou mais interessante do que jogar um jogo de computador 😉

Felizmente, o mundo está cada vez mais consciente acerca da importância de expor as crianças e os adolescentes ao desafio da programação e da electrónica e são cada vez mais os recursos e ferramentas interessantes e apelativas, que podemos usar para viver este desafio, em formato informal, social, divertido e entusiástico, ao modo de um clube desportivo.

No “Cromitos” iremos usar (algumas) essas ferramentas com as crianças e adolescentes e falar-vos de todas as que conseguirmos descobrir.

Mas porquê?

Ora, a tecnologia é cada vez mais transversal a todos os eixos do saber e tem transformado as mais diferentes indústrias fazendo com que a “programação” seja encarada como competência vital para quem quer fazer o futuro, sendo segundo várias opiniões, a competência do século XXI. Mitchel Resnick, director do “Lifelong Kindergarten group” do MIT Media Lab, diz que “programar” é “an extension of writing“, sendo no futuro uma competência tão importante como as capacidades de comunicar e de executar raciocínios matemáticos.
A “programação” serve para muito mais do que criar software, isso é apenas a forma como se nos apresenta. “Programar” é uma forma de ajudar as pessoas: é uma ferramenta de resolução de problemas, ajuda a simplificar e organizar a informação para que a possamos analisar e interpretar, serve para comunicar e está cada vez mais presente naquilo que vemos como arte. A electrónica, junta-mo-la porque abre um horizonte muito maior trazendo a programação para o mundo físico, permitindo construir mecanismos para as pessoas.

Uhmm? Mas temos de ser todos programadores ou engenheiros?

E vocês estão a questionar-se se nós achamos então que todos devem ser engenheiros informáticos ou electrotécnicos… Não! Não achamos nada disso! Da mesma forma que a necessidade de aprender a escrever não aparece porque todos têm de ser escritores mas porque é fundamental para sermos capazes de comunicar; a necessidade de aprender a programar surge porque é uma ferramenta muito útil para resolver problemas e automatizar processos, desafios cada vez mais frequentes na nossa sociedade. Quanto à electrónica, essa traz a magia da invenção!

Uma forma de ginástica mental

A exploração de actividades nestas áreas desenvolve ainda competências  críticas tanto a nível racional como humano:
  • estruturação do raciocínio: pela necessidade de partir os problemas/desafios em partes;
  • autonomia: o conhecimento existente está facilmente acessível por essa “internet fora” e evolui muito rapidamente, sendo portanto necessário, ter vontade de procurar e querer estar constantemente a aprender;
  • persistência: porque falhar, corrigir e voltar a tentar faz parte do processo;
  • auto-confiança: porque “fazer coisas” que funcionam aumenta a auto-estima;
  •  colaboração e partilha: o conhecimento disponível é muito vasto e está distribuído pelo que a colaboração de outras pessoas é frequentemente necessária e a partilha pública do conhecimento adquirido é prática comum;
  • empreendedorismo: porque “fazer coisas” é viciante.

O que se passa lá fora?

Vários países já se aperceberam da necessidade de desenvolver esta competência. A Estónia por exemplo está a desenvolver projectos piloto com o objectivo de introduzir a “programação” no programa escolar logo a partir da escola básica. A Finlândia está também a considerar essa medida. Noutros, existem movimentos com o objectivo de promover esta necessidade e/ou de convencer os seus governos a incluí-la nos seus programas escolares, alguns exemplos são: Code.org, Code Club, CoderDojo. Alguns destes movimentos já passaram as fronteiras dos países onde foram criados e disponibilizam formas de voluntários ou comunidades em qualquer país poderem ensinar a “programar”. Por cá também já há alguns.

Em jeito de conclusão

Um cromito é, segundo a Infopedia, uma pessoa que se comporta de uma forma excêntrica ou pouco comum. Os miúdos que programavam nos anos 80, eram “cromitos”… agora teremos todos de o ser pelo menos um pouco! Temos de dar o salto de sermos apenas consumidores de tecnologia para sermos criadores, nem que seja para automatizar um ficheiro Excel.

A criatividade, a diferença e a capacidade de fazer são agora mais valorizadas. Nunca a altura foi melhor para se ser “cromito”, não só porque o saber está mais à mão permitindo que cada um de nós seja tão único quanto os seus gostos o permitem, mas tambem porque ser “cromito” já não é “chato” mas sim “cool”. “Saber muito” ou “criar coisas” já não é aborrecido, é “sexy”!

share on